O que acontecerá à prestação se as taxas de juro subirem?
Uma das principais razões, pela qual a taxa de juro pode subir é o aumento generalizado do preço dos produtos, que se reflete no incremento dos valores da inflação. Se a inflação está elevada, i.e., se o custo dos produtos para consumo do dia a dia é crescente, deve, igualmente, considerar-se que os salários também aumentarão, pois aquando das negociações com as entidades patronais, certamente nenhuma entidade de defesa dos trabalhadores se esquecerá desse facto e exigirá salários mais elevados.
Para ajudar o comprador, na decisão sobre as taxas de juro, é importante que ele percecione o impacto da subida das taxas de juro no seu empréstimo. Mantendo cenários hipotéticos, e para apoiar a decisão do comprador, verifique-se o que o pode acontecer à prestação se os atuais níveis de taxa de juro subirem muito.
Alguns bancos, para simularem o valor da prestação, usam o valor mais elevado da Euribor, dos últimos 20 anos, ou, por exemplo, a TAN acrescida de +3% face aos níveis atuais. Trata-
-se de um cenário que ultrapassa as previsões teóricas, de expetativa futura de taxas de juro, apresentado no ponto anterior, ainda assim simulam-se em função do que se espera ser o “pior cenário possível”. Note-se que estes valores vêm refletidos na simulação / FINE que o banco terá de entregar, ao comprador, pois é obrigatório que esta perspetiva conste desse documento.
Mas, compara-se agora as atuais prestações resultantes das taxas fixas vs taxas variáveis, a partir do site de 3 bancos diferentes, para apoiar o comprador na sua decisão.
Foram aplicados os seguintes pressupostos para as simulações:
Montante do financiamento: 100.000 € | Montante da aquisição: 125.000 € | Montante da avaliação: 125.000 € | Prazo: 30 anos | Periodicidade da Euribor de 6 meses | Adesão a cross selling
|
Banco |
Tipo de Taxa |
Spread |
TAN |
TAEG |
Prestação |
Fixa vs variável |
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Banco 1 |
Fixa |
na |
4,87% |
5,7% |
529,45 € |
+113,43 € |
|
Variável |
1,3% |
2,89% |
3,6% |
416,02 € |
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|
Pior Cenário |
nd |
nd |
nd |
714,26 € |
na |
|
|
Banco 2 |
Fixa |
na |
4,20% |
5,0% |
489,02 € |
+83,63 € |
|
Variável |
1,1% |
2,69% |
3,4% |
405,39 € |
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|
Pior Cenário |
nd |
689,25 € |
na |
|||
|
Banco 3 |
Fixa |
na |
3,50% |
4,2% |
416,23 € |
+16,10 € |
|
Variável |
1,0% |
2,59% |
3,2% |
400,13 € |
||
|
|
Pior Cenário |
nd |
672.17 |
na |
||
Tabela 2: Taxa fixa vs taxa variável
Fonte: Site de 3 Bancos que comercializam CH em Portugal
Legenda: na– Não aplicável | nd – Não disponível
Como se verificou, optar pela taxa fixa implica, atualmente, pagar mais entre aproximadamente por ano, perto 200€ até cerca 1.350€, dependendo do banco, num empréstimo de 100.000 €, quando comparado com a contratação de crédito em taxa variável. Os portugueses, nos anos mais recentes, têm optado por contratos de taxa variável,pois no imediato existe poupança, embora cada caso é um caso e como demonstrado nesta tabela, os bancos não são todos iguais.
O comprador não deverá decidir, baseando-se apenas em indicadores teóricos previsionais, ou em opiniões de analistas que apesar de apresentarem alguma proximidade à realidade, não “garantem” que de facto a evolução seja esta.
Para decidir entre taxa fixa e taxa variável, além dos cenários teóricos, da oferta em concreto de cada banco para taxa fixa e taxa variável, o comprador deverá refletir, ainda, sobre as características da sua própria vida futura e respetivas convicções, como, por exemplo:
- Quanto tempo acha que vai durar o seu crédito à habitação? 10, 15… 40 anos?
- Qual a sua perspetiva perante a vida: mais conservadora ou mais dinâmica / arriscada? Se mais conservadora, naturalmente mais propensa à opção taxa fixa
- Qual a sua convicção pessoal sobre estes assuntos?
Em Portugal, a maioria dos novos contratos de CH são celebrados por 30 ou 40 anos, mas o tempo de duração média destes contratos não ultrapassa os 14 anos, pois muitas pessoas acabam por amortizar com antecedência o seu crédito. Esta situação pode acontecer porque acumularam poupanças suficientes para amortizar o empréstimo ou pela venda da casa, que pode ter origem em motivos diversos: realização de mais-valias; divórcio; nascimento de um ou mais filhos; crescimento dos filhos que já não valorizam o espaço atual; mudança do local de trabalho; má vizinhança; insegurança no bairro; má qualidade do ar da região, etc.
– Será que o comprador se revê em alguma destas situações?
Se a resposta for afirmativa, a preocupação de fixar uma taxa a longo prazo, fica, em princípio, fora de questão e optará, presumivelmente, por uma taxa variável.
O cenário de aquisição da 1ª casa, apenas com um ou dois quartos, em início de vida, com perspetiva de, mais tarde, adquirir uma casa maior, equacionando o crescimento do agregado familiar, poderá pesar na opção do comprador. No entanto, este cenário pode diferir de um em que, o comprador, pensa adquirir uma casa para toda a vida, com a perspetiva de não conseguir fazer amortizações antecipadas relevantes.
Se o comprador tiver uma postura cautelosa, de não arriscar, deve ponderar seriamente optar pela taxa fixa, não descurando, no entanto, a relevante diferença que se verifica, atualmente, entre contratar uma taxa variável e uma taxa fixa.
Assinale-se que se, o comprador, pretender, passado alguns anos, alterar a taxa fixa para taxa variável, o seu contrato irá prever um pagamento de 2,0% sobre o montante em dívida à época da alteração, o que para um empréstimo de 100.000 € significa um pagamento de 2.000 €. Esta penalização é prevista por todos os bancos, nos contratos de taxa fixa, pese embora possa ser neutralizada durante determinado período em que o estado pretenda induzir através da lei que os Bancos tenham de negociar com os seus clientes.
Por outro lado, na maioria dos bancos, o comprador não vai conseguir contratar um crédito para todo o prazo do empréstimo, particularmente a 40 anos, com taxa fixa. Alguns bancos não conseguem ter uma proposta suficientemente competitiva para dispor desta oferta a tão longo prazo, pelo que possivelmente irão propor a aplicação de uma taxa fixa, com um prazo mais curto ou bem mais curto, que o seu empréstimo e ao restante prazo será aplicada uma taxa variável, como já foi, anteriormente, mencionado o CH terá uma taxa mista.
Como se verificou, na tabela 2, ao optar pela taxa fixa poderá implicar, atualmente, pagar mais cerca de 1000€ / ano, em média, dependendo do banco, por cada 100.000 € de empréstimo, quando comparado com a contratação de crédito a uma taxa variável.
Os portugueses, nos anos mais recentes de taxas reduzidas, têm optado, geralmente, por uma taxa variável, pois, no imediato, existe poupança. No entanto o cenário está agora a mudar e muitos créditos já são agora contratados em taxa fixa.
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