Ser empreendedor, por vezes, é difícil quando se pretende recorrer ao crédito. Antes de se recorrer ao CH há tarefas que não se podem negligenciar: preparar bem e com antecedência a situação contabilística, com o apoio de um contabilista, aconselhável fazê-lo, um a dois anos antes, rendimentos e não usar a empresa para registar custos que não os devidos, antes de se pensar na aquisição de casa, para se estudar uma forma de incrementar e maximizar os rendimentos. Alguns empresários que têm escrita organizada, em Portugal, tentam reduzir a sua carga fiscal, à custa do registo de muitos custos na contabilidade.
Exemplifica-se uma situação extrema, mas que pode ocorrer: imagine-se que, o leitor, tem um cão que é, essencialmente, de companhia pessoal, mas que também o acompanha muitas vezes para o local de trabalho, como se de um “segurança” se tratasse. Pode ter a tentação de registar nas contas da empresa, a ração, as consultas no veterinário, as tosquias, etc., porque o referido animal guarda a instalação, o que em parte até lhe poderá fazer sentido. No entanto, se este princípio for aplicado a um número alargado de despesas, de cariz, também, pessoal, vai apurar-se um resultado líquido da sua atividade que pode, no limite, tender para zero de rendimento.
Exemplo de como é apurado o rendimento pelo banco, para efeitos da avaliação da capacidade para pagar o empréstimo no caso de ENI’s:
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Rubrica contabilística |
Valor em € |
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Total de produtos vendidos e/ou serviços prestados |
+ 30 000 |
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Total do custo dos produtos vendidos e/ou dos serviços prestados |
+ 10 000 |
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Resultado ilíquido apurado |
= 20 000 |
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Impostos e encargos |
– 3 000 |
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Resultado líquido – valor considerado pelo Banco |
=17 000 |
Tabela 10: Apuramento do rendimento de ENIS
Este valor líquido apurado da sua atividade é ainda alvo de um corte adicional, dependendo dos critérios de risco de cada banco, de 20 a 30%, para fazer face a eventuais oscilações de resultados de ano para ano.
Neste exemplo, o banco vai considerar que o rendimento ilíquido mensal é de 992€ = (17.000 € × 70%) ÷ 12. Como o banco só pode emprestar entre 30% a 50%, no máximo, então a prestação deverá situar-se entre 300 €, ideal, e um máximo de 500 €.
Poderá ajudar privilegiar-se a consulta ao banco onde se domicilia o negócio, pois se a conta for bem movimentada, naturalmente ajuda na aprovação comercial, dado o conhecimento mais profundo que esse banco tem da sua atividade.